quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quem faz ALGOMAIS por Pernambuco.

Hoje fiz uma troca interessante. Se normalmente me cubro de estresse, deixei-o de lado e hoje me cobri de strass. Cheguei não faz muito tempo do evento de premiação de ''quem faz ALGOMAIS por Pernambuco'', oferecido pela revista ALGOMAIS, com apoio do Banco Gerador, Nordeste Segurança e ASA Indústria; buffet assinado pela chef Rafaela Suassuna (Porto Fino), realizado na concessionária Rota Premium. Segundo a diretoria da revista, a intenção era inovar, razão pela qual o evento foi realizado na concessionária de carros importados e não em casas de festa tradicionais, e também razão pela qual o prêmio teve seu material modificado, para ficar mais leve. O prêmio, como nos demais anos, foi assinado pela renomada designer de jóias Clementina Duarte. Este ano foram premiadas assumidades nas mais diversas áreas (política, comércio e serviços, cultura, construção civil, indústra e responsabilidade social). As celebridades premiadas, aquelas que fazem ALGOMAIS por Pernambuco, foram: o governador Eduardo Campos, João Carlos Paes Mendonça (JCPM), Naná Vasconcelos, Antônio Queiroz Galvão, Raymundo da Fonte e Conceição Moura. Os prêmios foram entregues por personalidades tão significantes quanto, como o prefeito da cidade do Recife, o sr. João da Costa; o presidente da Nordeste Segurança, etc. O evento teve uma duração agradável, não sendo prolixo demais. A ambientação estava de belíssimo gosto, sendo realizada a festa em estilo coquetel mesmo.
Achei interessante o fato de grande parte da decoração ter sido feita com exemplares da própria revista ALGOMAIS.
O Buffet,por sua parte, não deixou a desejar. Servindo canapés em queijo, pequenas porções individuais de camarão à abóbora, camarões empanados, salada de faisão e batata doce, raviole de carne, além de bebidas diversas...e, claro, como não poderia deixar de ser, bolo de rolo com sorvete. Dos pratos mais comuns aos mais diferenciados, a apresentação e o gosto estavam maravilhosos.
Sim, claro, agora a pergunta que não quer calar: o que fazia eu em meio a tantas assumidades pernambucanas? Simples, a revista ALGOMAIS convidou os 16 principais chefs de Pernambuco (Alexandre Faeirstein do Kojima, Claudemir Barros do Wiella, André Saburó do Quina do Futuro, Domingos Farias do Domingos - em Porto de Galinhas -, Rafaela Suassuna do Buffet Porto Fino, Thiago Freitas do Verdicchio, Duca Lapenda do Pomodoro, Ivalmir Barbosa do Senac-PE, Izabel Dias da Casa dos Frios, Joca Pontes do Villa, Ponte Nova e La Plage, Masayoshi Matsumoto do Sushi Yoshi, Hugo Prouvot do Bistrot Club du Vin, Uilton Gama do Chez Wiet, César Santos da Oficina do Sabor, André Falcão que dá, atualmente, consultorias, e, CLARO, a Chef Meiga Von Liebig do Château Brillant.) para escolherem, cada um, o prato que, para eles, representa Pernambuco, já que a temática do prêmio ''Quem faz ALGOMAIS por Pernambuco/2009" é Gastronomia, fato que se justifica, segundo a revista, porque este é um segmento que vem crescendo numa média de 12% ao ano no estado, fazendo, portanto, Pernambuco o terceiro pólo gastronômico do país. Também é importante lembrar que a gastronomia traz um movimento turístico significante ao estado, e estimula novos negócios (como a criação de cursos, eventos, festivais, abertura de casas gourmets, etc). O prato escolhido pela maioria foi o Bolo de rolo, tombado ano passado como patrimônio cultural e imaterial de Pernambuco. Este bolo é descendente do bolo ''colchão de noiva'' de Portugal, que era feito com avelã, amêndoas, etc. Da substituição deste por materiais mais facilmente encontrados em solo brasileiro (como a goibada) nasceu o bolo de rolo (na verdade, esta assimilação também deu origem a infindas outras preparações pernambucanas).
Outros pratos como o cozido, a carne de sol, o bode, a agulha branca, a cartola, o bolo souza leão, o cabrito, a tapioca, a peixada pernambucana, o arrumadinho, a macaxeira, a galinha cabidela e a fritada de aratu não deixaram de ter seu lugar na representação dos chefs, e claro, no coração dos pernambucanos.
Paralelamente a premiação da revista ALGOMAIS, ocorria o lançamento da coleção outono/inverno da gride Valentina, no Château Brillant... ou seja, a chef Meiga e eu estávamos realizando dois eventos ao mesmo tempo...hehehe..onipresença na gastronomia. ;p
Este evento também foi um sucesso, para a felicidade geral da nação...hehehe.
Fui ainda, a tarde, para a mais que merecida comemoração dos 70 anos do livro açúcar, de Gilberto Freyre. Este foi o primeiro livro que li ao entrar na faculdade de Gastronomia, e sinto que cada vez que eu o ler, aprenderei algo novo. Bem, se não fosse assim, não seria Gilberto Freyre! O livro é maravilhoso e capta, como ninguém, a alma e a essência da culinária pernambucana, não apenas enfatizando e enfocando as receitas, mas também, e principalmente, a gastronomia como a expressão máxima de cultura, uma consequencia cultural fortíssima, sendo resultado de assimilações culturais diferentes e passadas ao longo da história. Quem não leu este doce livro, recomendo sua leitura imediata. O evento contou com a sempre brilhante e satisfatória presença de Maria Letícia Cavalcanti. Sempre impressiono-me com as palestras dela.
Antes de ontem (terça, 05/05) foi a vez de participar do SEPEHTUR (I seminário pernambucano de hospitalidade e turismo), realizado no Cecon (centro de convenções), que contou com a participação de Sílvio Costa Filho e Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo (USP), além da apresentação de um famoso ballet afro do Recife, que recepcionou aos presentes com beleza, cultura e entretenimento.
A palestra do Prof. Trigo foi maravilhosa. Entre tantas outras coisas interessantes que ele disse, algo me chamou a atenção profundamente: os luxos contemporâneos são silêncio, tempo, calma e espaço. Você já parou para pensar quão simples são esses ditos luxos? Contudo, quando foi a última vez que você pôde contar com algum deles, ou mesmo (e mais difícil ainda) com todos eles reunidos? Enfatizo para o nome dado a este conjunto de fatores: L U X O. Não é mais, necessariamente, luxo, travesseiros de pluma de ganso, ouro nas paredes, prataria, hidromassagem, etc. O luxo procurado hoje em dia é, nada mais, que tempo, calma, etc.
Então a experiência diferenciada procurada pelo viajante, dada pelos parâmetros culturais do "Brasil Real'', como diria Suassuna, dá-se pelo simples e merecido descanso!
Lógico que se, juntamente a este luxo, o supracitado vier agregado, será mais valioso ainda para o cliente... mas se não, isto não se constitui necessariamente em um problema: as pessoas querem apenas tempo. Que incrível. Que mundo (ponto final)!

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