O príncipe encantado de verdade (07/02/09)
Ao meu único e grande amor, Marcos.
No final das contas você descobre que o amor, afinal, existe; e melhor, que não tem nada a ver com esse sofrimento eterno que vendem os bayorianos, nem essa obrigação de euforia constante e calafrios diversos que rotulam os superficiais. Você descobre que o sofrer é um momento necessário e que, talvez, por isso mesmo deve ser obrigatoriamente rápido, e também que calafrios diversos são mais comuns como conseqüência de uma infeliz infecção intestinal.
Você descobre que o amor nasce todos os dias, e que renová-lo é uma atitude diária e contínua. Você descobre, não necessariamente após descobrir o amor sensual, que o amor está em todas as coisas. Que o amor reflete-se no cheiro das manhãs. Você, finalmente, pára de competir aos outros a árdua missão de completar-nos, como se fossemos metades da laranja esquecida da feira. Você passa a ver que já somos completos e que, na verdade, o outro vem dividir alegrias e tristezas com você, e que isso é o melhor e mais gostoso que o tempo nos dá.
Você percebe que os contos infantis te iludiram e, finalmente, você cai na real que príncipes encantados não existem, e sim que o amor torna aos outros encantados. Porque, em algum momento, numa noite insone de terça-feira chuvosa, você descobre que o amor da sua vida não é seu colega de partido, que não pensa igual a você; nem é guerrilheiro ativista na mesma batalha que você. Que ele não gosta das suas roupas e que precisa de uma séria renovação no guarda-roupa. Você descobre que o amor da sua vida, aquele que é a razão do teu respirar, na verdade, ronca incessantemente alto durante toda noite, e tem a péssima mania de comer sorvete com batata frita.
Então, você nota que sua paixão tem cortes, cáries, cicatrizes e várias outras coisas que começam com “c” que você não gosta. Você, um dia, se olha no espelho ao lado do seu amor e vê que, na verdade, seu príncipe gosta de Bach e ópera, enquanto você é viciada no Eminem e não perde uma balada. Mas, é quando você vê que você vai, alegremente, ao teatro com ele, e no outro fim de semana ele vai à festa com você.
É com essa pessoa tão diferente que você se pega dançando abraçadinha, sem música, na sala de estar do seu apartamento alugado, sentindo-se no céu. É nos olhos dele que residem todas as razões que te fazem feliz, e você sabe lá no fundo que só vale a pena qualquer coisa na vida se você se vir refletida nos olhos dele, ali, sempre.
É com esse cara, aparentemente tão igual, e ao mesmo tempo tão diferente, que você se sente a mais sortuda das pessoas por ter encontrado morada segura nos seus braços. É por aquele homem barrigudinho que você se arruma, escreve e perde noites de sono pensando nele, e apenas nele. De todos os homens, apenas o toque dele te dá a certeza do mais puro zelo, e só o beijo dele te dá ânimo e carinho. É só com ele que você faz amor, amor de verdade. Com ele você faz amor ao tocar as mãos, ao perderem-se nos olhos um do outro.
Você percebe que “felizes para sempre” é, na verdade, quem continua a história depois do primeiro beijo e de despertar. Quem ainda acha tempo, em meio a TPM, estresse, conta de luz atrasada, aqueles quilinhos a mais e aquelas horas de sono a menos, para dançar com seu amor no meio da casa, sem música, só para senti-lo pertinho. É, na verdade, quem ainda acha seu marido o mais lindo dos homens, mesmo depois de acordar descabelado e cheirando a algo que já deveria ter sido lavado há alguns dias. Você descobre que o amor, amor de verdade, não só resiste, como se fortalece e se renova nessas condições. E, de alguma forma, você sabe que aquele cara que ronca no seu ouvido e reclama da sua melhor amiga, se abaixaria para pintar suas unhas dos pés se você tivesse artrite... mesmo ele tento artrite também.
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ResponderExcluirEU TE AMO, MINHA LITERATURA! ESCREVE UM POEMA EM MIM QUANDO EU CHEGAR? BEIJO NA BOCA E NA ALMA!
ResponderExcluirescreverei todos os dias, minha inspiração eterna!:)
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