terça-feira, 4 de agosto de 2009

Histórias inacabadas.

Ironicamente ou não, quando acabei de colocar o título desta postagem (contrariando meus professores de redação, eu normalmente começo pelo título...hehehe), apertei a tecla ''enter'' sem querer e o post foi publicado assim, em branco, inacabado.
Bem, mas, contrariamente ao resto da vida, aqui eu posso clicar no ''editar''. Ah..as maravilhas da vida moderna. xD
O fato é que hoje eu amanheci com a doce saudade de mim mesma...senti a inenarrável vontade de revisitar meu passado, e comecei a ler emails velhos. Achei fotos antigas, tive saudade de pessoas que se foram da minha vida, tive saudades de ser quem eu era, e ao mesmo tempo alguma parte (mais sensata) de mim ficou feliz por ser diferente hoje... reli e revivi momentos deliciosos de minha vida. Que massagem ao faminto e, ultimamente, solitário ego. Contudo, em meio a estes emails antigos, achei um texto que comecei a escrever. Abri-o. Me lembrava do esboço, do momento da inspiração, mas não me lembrava de tê-lo levado às vias de fato...apaguei da memória a lembrança de escrevê-lo. Fui, então, ler o tal texto. Posso dizer que aquela foi minha estreia como cronista. Talvez, sendo generosa, possa julgar a obra imatura (nada mais natural, afinal, acho que tinha 14 anos no máximo quando a escrevi). Fui lendo aquelas antigas e esquecidas linhas, descobrindo as múmias egípcias envoltas em ouros guardadas no mais profundo sarcófago do gmail, me envolvendo naquele sentimento tão forte... ah se me lembro daquele sentimento. Marcante, único, inesquecível. Devo quase toda minha vida literária a este rapaz, sem dúvida. Naquele texto eu criara uma situação perfeita, sonhada, na qual finalmente eu - então, fulana - e ele - o cicrano - nos teríamos em paz e plenitude. Toda a elaboração do texto passou a me envolver, me deixou ansiosa para saber o que aconteceria com os tais personagens, que tramas a vida iria jogar em cima dos meus - tão meus! - pobres amantes secretos...
Fui vivendo todo amor da Angélica, e revivendo toda a angústia da Rayssa.
Contudo, quando chego ao que, suponho, ser o climax, o texto simplesmente acaba!!!
Pensei ser erro do meu computador, não era possível! Eu já tinha tantas possibilidades de finais para Angélia e seu Lucas...que absurdo! Aquilo não podia estar acontecendo. O que se deu de Angélica? Ela finalmente teve seu amado para si? E todos os planos que ela fez? Todos os anos de amor silenciados pelo medo fatal, pela timidez-mordaça... e todos os anos de amor dedicados a este rapaz-deus? Como era possível que estes personagens simplesmente sumissem do meu controle, da minha vida, assim, sem mais nem menos, sem explicação ou cerimônia!?
E pior: aquele era um texto de minha autoria, e eu já não me lembrava que final eu queria dar aos pombinhos! E agora, autora cruel, que se deu desse amor tão belo?
Quando percebi que esse erro (era claro que eu tinha mandado para mim mesma o texto para que eu continuasse-o em casa, depois...e esqueci de fazê-lo) era, na verdade, drummonianamente, a verdade-poesia que inundava minha vida inteira!
Minha vida inteira (inclusive este sentimento por este, então, "Lucas") se baseou em histórias inacabadas. Planos que fiz e que nunca cumpri, juras que ficaram pelo caminho, ''para sempres'' que duraram a eternidade de um segundo, sonhos que vi despedaçarem-se.
E eu, autora (por vezes cruel) da minha vida, simplesmente esqueço de completar essas histórias!! Assisto, passiva, ao teatro da minha vida ser ensaiado, apresentado e dirigido por terceiros que, por mais competente que sejam, não são tão competentes para serem encarregados do meu teatro-vida! Você deve, afinal de contas, ser protagonista da sua própria vida!!
E você, que papel tomou na sua vida?
Isto pode apenas ser mais uma promessa vã, mas a partir de hoje serei a protagonista única e faminta da minha vida...engolindo o mundo num gole só; porque minha alma TEM sede do infinito!

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