"Que difícil que é a vida dos homens - pensou ela - eles não tem asas pra voar por cima das coisas más..." (Shopia de Mello Breyner Andresen em "A Fada Oriana")
A Fada Oriana, que sempre fez o bem a todos, um dia conseguiu deparar-se com um rio, após salvar a vida de um pequenino, mas importante, peixe, e notou como ela era bela...como tudo ao seu redor era belo. E ela nunca teria visto-se pelos olhos de outrem se não fosse pelo rio, e por aquele seu belo gesto.
E eu me pergunto. Onde está o meu rio? Talvez eu seja como a fadinha Oriana, talvez eu seja o peixe que morre à margem do rio. Mas talvez eu não seja nada disso.
Nem sei bem que razões me levaram a postar hoje, apenas esse turbilhão que invade e bagunça minha cabeça, esse silêncio que grita aqui dentro de mim.
Que fazer? Sei que não há maneira melhor de fazer Deus rir que contar-lhe seus planos futuros...mas no momento tenho tantos planos para o futuro, e ao mesmo tempo não tenho nada em minhas mãos. Tenho toda minha vida apoiada e dependente de variáveis quando, na equação da vida, eu devia apenas pensar com as determinantes.
Tudo que existe em minha vida hoje é tão sólido quanto os grãos de areia de um vendaval, que algum dia poderão, claro, formar uma imensa e bela duna...onde crianças poderão brincar, ou mesmo servir de abrigos para pequenos animais...e talvez assim eu seja como Oriana.
Mas, no momento, são apenas grãos de areia..e eu talvez seja no momento menos que o peixe que morre à margem do rio.
Bem que tentei tutuar-me assas que me levassem para longe, me pousassem nas estrelas mais longinquas e belas...mas as assas de borboleta que a imaginação me deu são demasiadamente frágeis, e já não suportam o peso dos meus problemas.
Todos os planos que fiz para o meu futuro são tão volúveis quanto o vento que me leva, e movimenta minhas assas roxas.
Eu queria poder voar todas essas adversidades e encontrar-me logo com meu destino. Concretizar o maior de todos esses sonhos, e deixar o resto acontecer por tabela. Tenho urgência de ser feliz, urgência de concretizar nossos sonhos. Tenho urgência em encontrar-te todos os dias, como meu marido. Não tenho mais força-motriz que me impulsione a terminar nenhum dos planos que comecei aqui, nessa terra de seu ninguém (agora).
Que saudades de ver sentido em tudo que faço.
Que saudades de ver meus planos se concretizarem.
Tudo que quero é pra ontem, embora nada mais dependa de mim, nem nada possa acontecer assim tão rapidamente.
Essa é, no mínimo, uma situação complexa.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
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