segunda-feira, 8 de junho de 2009

A moral doente...sem ambulância!

Ontem, ao sair da igreja, eu estava lanchando com meu namorado numa dessas lanchonetes de rua aqui das terras candangas, conhecidas como "bombas". Apesar do nome aparentemente assustador, a comida, de assustadora, só tinha a quantidade de calorias, e talvez as misturas em sanduíches mais inusitadas possíveis.
Mas, de qualquer maneira, esse não é o foco do post.
Já perto de finalizarmos nossa farta - e pouco nutritiva - refeição, assistindo mais um dos programas que só me comprovam a mediocridade e insanidade do telespectador brasileiro; notei uma movimentação extraordinária no final da rua. Logo, como em todo lugar do Brasil, a movimentação, como uma epidemia, começou a se generalizar...e logo as pessoas do lanchonete e da rua, como um todo, estavam ficando em pé, agitadas, com seus olhares fixos em algo, tecendo fervorosos comentários. Cena típica de um gol sendo comemorado euforicamente. Mas, não era dia de jogo. Os passantes comemoravam outro jogo, e os dentes ferozes das pessoas na lanchonete riam de outro gol...
Era, na verdade, uma briga. De uma dessas gangues falidas de pit-boys de Brasília... vários homens se juntaram para surrarem um (sim, 1!) rapaz. Porque? Ninguém sabe. Também, pouco importa. É entretenimento gratuito. E ao vivo!! Primeiramente meus pensamentos se dirigiram ao seguinte: se as pessoas também não se importavam qual bendita (?) razão levou a mulher da TV, e seu colega zombativo, a uma praia particular estrangeira para comentar dos corpos das mulheres e dos homens, aperta-lhes e tapear-lhes as partes, fazendo aquele gesto digno de misericórdia do famoso (é...¬¬)''peitinho''....pois isso as entretia...obviamente eles não iam se preocupar com qual poderia ter sido a razão para que aquele sujeito estivesse sendo violentado... isso também os entretia.
Quando o garçom do estabelecimento (que também era caixa, e cozinheiro) nos explicou, (pasmem) com um sarcástico sorriso no rosto o que tinha se sucedido, eu (inocente, talvez)perguntei,prontamente: e ninguém chamou a ambulância?
Note que não pedi por policiais, afinal, sei bem o que são os fatores corrupção, ameaça e medo. Perguntei pela ambulância, preocupada com o bem da vítima. O garçom-caixa-cozinheiro riu-se e, virando a face, apenas disse "eu não...", dizendo ali tudo que eu precisava, mas não queria ouvir.
Passei o resto da noite, e do dia hoje, pensando não só no estado do rapaz, mas também na deturpação da mente desses agressores (os do rapaz, e os demais, da moral!)
Parece que as pessoas agora são ilhas, que ascendem ao passo que outra afunda, tornando da desgraça de outrem algo desejável...e mais: divertido! Mais um show para se assistir. "Aqui em Brasília é assim mesmo", justificavam eles. Não!Não é assim!Não é para isso que fomos criados.
Nenhum homem pode, ou deve, ser uma ilha. Somos seres políticos e sociáveis, no mais vasto conceito dessas palavras. Não podemos abaixar nossas cabeças para essas iniquidades que nos circundam. Se não podemos, ao menos, combater o mal, podemos e devemos procurar o bem. Chamar a ambulância para curar as feridas, sejam elas do corpo ou da alma. Devemos também ser a ambulância, ser os paramédicos..se não pelo belo sentimento autruísta de, simplesmente, fazer o bem; então porque todos nós podemos ser a vítima, a qualquer momento.
As pessoas tornaram-se indiferentes, revestidas dentro de suas carapaças cada vez mais plásticas e insensíveis. Tudo bem que algumas pessoas queiram tanto perder a naturalidade e as expressões que se plastificam cada vez mais, até terem rostos medonhos. Mas, a alma também????
Não é correto que o sofrimento do outro torne-se nossa diversão, ou que o medo congele nossa vontade de fazer o bem. Não podemos querer um mundo melhor para os nossos filhos se não movermos a pedra do caminho NÓS MESMOS. Chega de deixar o trabalho pro outro. Chega de se preocupar apenas conosco!
Vivemos numa época de moral e valores flexíveis, de total banalização da vida. A que ponto nós chegamos?
Não podemos deixar que a indiferença reine nas nossas vidas, e que pouco nos importe a vida e o sofrimento do nosso vizinho. Com isso, entendam, não quero pedir que vocês se tornem fofoqueiros e intrometidos de plantão, quero apenas fomentar qualquer vestígio de solideriedade, bondade e afetividade que ainda exista dentro de vocês...
Chamem a ambulância!

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